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Pessoas
que enxergam mal mesmo de óculos podem ter ceratocone
OU Córnea em forma de cone |
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Alterações
da visão podem ocorrem por vários motivos,
em qualquer fase da vida e ter intensidades diferentes
dependendo da causa.
A córnea, um tecido transparente que recobre
anteriormente a íris, porção colorida
no centro do globo ocular, tem forma normalmente ovalada
e regular permitindo que a imagem captada pelos olhos
possa ser focada na retina (fundo do olho). As células
nervosas da retina serão então responsáveis
pela condução da informação
visual ao nervo óptico e este por sua vez percorre
um longo caminho no cérebro até o local
diferenciado para reconhecer e interpretar a imagem
recebida.
O ceratocone (ou córnea em forma de cone) é
uma das alterações da curvatura da córnea
que pode alterar muito a qualidade e a quantidade de
visão de uma pessoa. É até possível
que a visão seja tão prejudicada que o
indivíduo portador desta alteração
que tem sua visão medida sem correção
de óculos, lentes de contato ou cirurgias corretivas
ser considerado “legalmente cego” (pela
falta de definição da imagem) mesmo que
as demais estruturas do olho sejam absolutamente normais.
Para que a visão de uma pessoa seja perfeita
vários tecidos e estruturas precisam ser normais.
No caso de um problema como o do ceratocone que leva
a alteração do formato da córnea,
que aos poucos vai adquirindo a forma de um cone, a
qualidade da visão sofre alterações
gradativas e evolutivas. Esta alteração
geralmente ocorre nos dois olhos e geralmente com intensidade
e evolução variáveis, acomete principalmente
adultos jovens e pode manifestar-se em qualquer idade.
Provavelmente esta doença ocorre por alteração
genética das células da córnea,
porém acredita-se também que pela forte
associação entre prurido e ceratocone,
que o ato de coçar os olhos possa ser um fator
definitivo na evolução do ceratocone.
Muitas pesquisas têm sido feitas em vários
centros dentro e fora do Brasil na tentativa de se conseguir
determinar a melhor teoria para a causa do ceratocone,
porém os anos passam e parece que muita investigação
científica será necessário para
esclarecer a causa definitiva desta doença que
pode ser também multifatorial.
A grande preocupação do portador de ceratocone
e de seus familiares está em descobrir o por
que ? De onde veio? Como vai ser a evolução?
Como interromper a evolução do cone? Se
há algo que se possa fazer para prevenir a evolução?
Se um indivíduo com ceratocone pode ter um filho
com a mesma doença? E ainda como corrigir a visão
sem causar um dano maior ao olho e como deve ser o acompanhamento
do problema?
O ceratocone raramente aparece em recém nascidos
e bebes, mas se ocorrer pode interferir no desenvolvimento
da visão de forma grave e às vezes irreversível.
Pais com ceratocone ou astigmatismos muito altos e irregulares
podem com maior freqüência ter filhos com
ceratocone. Uma recomendação clássica
e que é válida como teste de visão
para todos os bebes é a oclusão alternada
de cada olho da criança e a observação
do desempenho visual inicialmente com brincadeiras e
brinquedos. Claro que este é um método
rudimentar de medir visão, mas pode ser feito
sem equipamentos, brincando e salvar o desenvolvimento
visual de uma criança quando feito pela família.
Se houver dúvidas, o médico oftalmologista
tem como medir a visão mesmo em crianças
sem possibilidade de verbalizar a informação.
A doença tanto pode ser o primeiro sintoma de
problemas oculares, quanto atingir indivíduos
que já usam óculos. Nesse caso, a evolução
da moléstia faz os portadores trocarem seguidamente
de óculos e ainda continuarem ter alterações
importantes da qualidade da visão.
Exemplos de ceratocone (visão externa do olho):
leve, moderado, grave e muito grave. |
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Felizmente
na maioria dos casos o portador de ceratocone tem todas
as outras estruturas oculares normais, e tendo tido
a chance de desenvolver sua visão nos primeiros
anos de vida ele também terá chance de
corrigir as alterações da visão
com óculos, lentes de contato ou cirurgia e readquirir
a visão necessária para uma vida normal.
É muito comum o portador de ceratocone ser também
míope.
Nem todos os ceratocones ocorrem por determinação
genética, alguns ocorrem secundariamente às
cirurgias oculares ou à traumas que afinam a
córnea e favorece o enfraquecimento da estrutura
do tecido corneano. Por este motivo os pacientes que
querem operar a miopia com laser devem ouvir e respeitar
a opinião do oftalmologista que avalia as medidas
da córnea no pré operatório definindo
a indicação adequada de cirurgia.
Vários formatos de ceratocone existem, de acordo
com sua localização na córnea,
podem facilitar ou dificultar a adaptação
de lentes de contato.
Uma das formas mais simples e seguras de se chegar ao
diagnóstico de ceratocone é com exame
computadorizado da curvatura da córnea. Este
exame chamado de topografia da córnea pode ser
feito com preferencialmente com dois tipos de aparelho:
o Topógrafo ou Tomografia (Pentacam).
O equipamento que realiza a tomografia do segmento anterior
(o Pentacam) mede na córnea não só
curvatura mas também a espessura e a elevação
anterior e posterior do tecido. Estes dados mais completos
facilitam a avaliação das medidas que
são feitas para diagnóstico e acompanhamento
de cada olho em cada paciente. Este sistema permite
também a medida de várias estruturas como
as dimensões da câmara anterior do olho
e a posição volume e transparência
do cristalino.
Os óculos podem ser usados em pacientes com ceratocone,
porém nem sempre conseguem proporcionar ao paciente
boa visão visto que o formato das lentes de óculos
não acompanha as irregularidades da córnea.
Nas situações de alterações
da córnea com ceratocone mais avançado
a correção da visão deverá
ser com lentes de contato ou cirurgia.
Vários materiais, tipos e formatos de lentes
de contato podem ser testados e se a adaptação
de lentes de contato for bem sucedida poderá
restabelecer visão normal ao indivíduo,
poupando-o de vários riscos que podem ocorrer
com os procedimentos cirúrgicos. |
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| EVOLUÇÃO
E TRATAMENTO |
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A dificuldade na adaptação de lente na
adaptação de lente no paciente com ceratocone
está também vinculada à grande
variação de curvatura que este tipo de
paciente apresenta que conseqüentemente leva à
alterações de grau.
Durante o estágio evolutivo da doença
as mudanças podem ser rápidas.
Freqüentemente os portadores de ceratocone referem
constantes mudanças de grau dos seus óculos.
Na maioria dos casos (+ ou - 80%) o uso de óculos
ou lentes de contato rígidas, são suficientes
para garantir uma visão satisfatória para
o paciente.
A progressão da doença é muito
variável, enquanto alguns evoluem lentamente,
uma minoria tem evolução rápida,
necessitando de lentes de contato rígidas ou
quando estas não tem mais efeito corretivo algum,
o tratamento cirúrgico está indicado.
O fato do paciente portador de ceratocone usar lente
de contato não impede a evolução
da doença.
O transplante de córnea pode ser indicado quando
nenhuma outra solução menos invasiva reabilita
o paciente. o transplante de córnea ainda é
o único procedimento, apesar do risco de complicações,
como altos astigmatismos, anisometropia (diferença
de grau de um olho para outro) , rejeição,
infecção, glaucoma (pressão alta),
catarata e doenças relacionadas a superfície
ocular.
Os implantes de anéis intra-corneanos, são
indicados para os casos de ceratocone inicial ou de
intensidade moderada. Neste procedimento são
colocados anéis de material inerte acrílico
na espessura da córnea no intuito de criar uma
área de maior rigidez e conseqüentemente
servir de sustentação para um tecido corneano
pouco resistente
Um dos problemas no acompanhamento dos pacientes com
ceratocone é a detecção da evolução
da doença que até recentemente não
poderia ser preventivamente tratada.
O ¨Crosslinking¨ vem se tornando uma opção
terapêutica com o intuito de impedir a evolução
do ceratocone. É uma alternativa pouco agressiva
que age no mecanismo fisiopatológico da doença,
modificando as ligações entre as fibras
de colágeno. Aplicado há vários
anos em fase experimental, inicialmente na Alemanha
e Suíça e em alguns países da Europa,
com resultados animadores pois foi possível observar-se
que a maioria dos pacientes estudados tiveram sua doença
estabilizada após o tratamento.
O “CrossLinking” do colágeno corneano
deve tornar-se uma opção menos invasiva,
diminuindo eventualmente a necessidade de transplante
de córnea no futuro dos pacientes tratados no
momento adequado.
O anel intra-estromal pode ser usado concomitantemente
ou separadamente ao tratamento com o crosslinking, é
também uma alternativa para aumentar a rigidez
da córnea. |
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As
técnicas de transplante de córnea estão
muito desenvolvidas mas esbarram em problemas como:
a espera por uma córnea doada (atualmente a espera
é pequena), a cicatrização e a
reabilitação visual gradativas e por períodos
prolongados . Depois da cirurgia existe também
a possibilidade de rejeição da córnea
transplantada, este evento é raro porém
pode ser determinante para o insucesso do procedimento.
Quando se indica um transplante de córnea também
deve-se discutir a possibilidade de se efetuar um transplante
penetrante (com troca de toda espessura da córnea)
ou um transplante lamelar com troca apenas da lamela
anterior.
No transplante lamelar apenas parte da córnea
será transplantada, nesta situação
acredita-se que a reabilitação possa ser
mais rápida e com menor risco de rejeições
graves. O processo de cicatrização do
transplante de córnea é lento e assim
também é a retirada dos pontos de sutura
de qualquer um dos transplantes. Somente depois de retirados
todos os pontos é que será definida a
graduação final e se necessário
indicar a correção da graduação
residual com óculos, lente de contato ou Laser.
No paciente com ceratocone o objetivo é corrigir
a visão da melhor forma possível, com
o menor risco e com o maior conforto, proporcionando
consequentemente a qualidade de vida. Como alguns destes
conceitos são subjetivos e variam entre os indivíduos
cabe ao médico e ao paciente tentar a melhor
interação pessoal possível no processo
decisório sobe tratamento ideal.
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| REFERÊNCIAS
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